
..."Compenso a humilhação que é espreitar-te o fuso dos dias com o orgulho de não deixar que me toques, que sequer te aproximes: serás de outra, não sendo meu. Invento que esta altivez é o teu castigo, mas desconfio que seja antes o teu alívio. Continuo a ver, nas manifestações do teu corpo, provas irrefutáveis de desamor e de desconforto, como se a tua falta de apetite fosse mais do que o simples marinar de uma gripe, ou o teu balbuciar engasgado, quando acordas de repente, não resultasse da sinusite que te entope a cada inverno. Persistes em achar que o amor nada tem a ver com sexo e eu, que o facto de assim pensares mata o amor, fazendo-me recusar-te o sexo. .... Somos dois egos letárgicos que se acomodaram ao convívio mútuo: tu, com os meus cremes e desconfianças espalhados pelo lavatório; eu, com as tuas toalhas e aldrabices espalhadas pelo chão. Nada mudou."
in umamoratrevido.blogspot.com

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